Corpus Pendulus P-XIII’

CORPUS PENDULUS P-XIII’

Sobre

“Era uma vez uma mulher que se divertia em correr perigos mortais. Essa mulher era artista e praticava, sobretudo, a linguagem artística performance.”

Maria Beatriz de Medeiros (Performance artística e tempo.)

 

Corpus Pendulus P-XIII’

A performance me prendeu pela carne e o tempo pela arte: fragmentos de experiência corpórea efêmera fixados na memória.

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Fragmentos de experiência corpórea efêmera fixados na memória.

Corporeidade física, psíquica e universal.

Percepções fenomenológicas, corpo em movimento sentindo o espaço.

O corpo produz subjetividades, cria possíveis verdades.

 

Teria o mesmo propósito se o corpo não sentisse dor?

O quanto de dor o corpo é capaz de suportar?

Nem a dor transcendental como no rito de Fakir Musafar,

nem tão pouco os limites do corpo de Stelarc.

A dor da artista talvez não se iguale a tantas outras No limiar da vida de Ingmar Bergman.

Esta pulsante agonia, que nada mais é que um prazer distorcido, temeroso despertar do corpo.

São vinte e quatro segundos de dor intensa, penetrados na pele que se desloca, para logo abrandar a estesia.

 

Corpo que transborda energia vital, em um sofro.

Tempo a favor, sendo efêmero logo acaba.

De imediato movimentar o corpo, pois não há mais nada que os pés alcancem.

Pendular, circular, torcer e flexionar, a dança solo nos ares.

Não há outra intenção que não seja a experiência sensorial e perceptual.

 

Somente o corpo não era o suficiente, aderi a ele uma extensão encarnada e volúvel.

Reverberação luminosa no ar, contrastando o horizonte ao meu redor.

 

Sempre que pela ponte passava, me via como em um pêndulo sob ela.

Mal sabia nestes tempos, que o pêndulo à oscilar seria o meu próprio corpo.

O equilíbrio entre as pontes.

 

O sibilar do vento e suas variações de intensidade na altura em que eu estava, era o único som possível a me abraçar.

Nada se rompeu. Nem a pele nem o aço. Os ganchos se mantiveram firmes durante a transição.

O ar absorvido no ato deixou meu corpo ao passar dos dias.

Cicatrizes parceiras por toda vida, como todas as outras que mantenho involuntariamente.

 

A performance me prendeu pela carne.

E o tempo pela arte.

 

FOTOGRAFIAS

 

Corpus Pendulus P-XIII’
Suspensão corporal realizada sob a Ponte do Canal São Gonçalo.
Entre as cidades de Rio Grande e Pelotas. RS- Brasil. 2012
Equipe responsável pela suspensão: Alexandre Pawlowski “Cirko Akrata”, Colombina Sanglant e Cristiano Araujo.
Registro fotográfico: Gustavo Mansur, Ana Batista e Rogério Frank.